8 de junho de 2026
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Governo Federal decreta fim da pesca da tainha por arrasto de praia e revolta pescadores em Santa Catarina

Mais uma vez, Brasília decidiu interferir diretamente em uma das tradições mais antigas e simbólicas do litoral catarinense. O Governo Federal anunciou neste domingo (7) o encerramento da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina, alegando que a atividade atingiu 90% da cota de captura estabelecida para a safra de 2026.

A decisão caiu como uma bomba entre pescadores artesanais, comunidades pesqueiras e lideranças do setor, que veem na medida mais um capítulo da crescente burocratização de uma atividade que há séculos faz parte da cultura, da economia e da identidade catarinense.

O argumento oficial do Ministério da Pesca é evitar que a cota de 1.332 toneladas destinada ao arrasto de praia seja ultrapassada. A própria regulamentação federal previa o encerramento da modalidade quando fosse alcançado o patamar de 90% da cota autorizada.

Mas para quem vive da pesca, a justificativa não convence. A safra deste ano vinha sendo considerada uma das melhores dos últimos tempos, impulsionada pelas baixas temperaturas e pela grande presença de cardumes ao longo da costa catarinense. Justamente quando muitos ranchos começavam a recuperar parte das perdas acumuladas nos últimos anos, veio a ordem para recolher as redes.

A indignação cresce ainda mais porque a pesca da tainha por arrasto de praia não é apenas uma atividade econômica. Ela representa uma tradição secular herdada dos açorianos, reconhecida como patrimônio cultural catarinense e responsável por movimentar o turismo, o comércio local e a renda de milhares de famílias durante a temporada.

Críticos da medida questionam a lógica de impor cotas rígidas a uma modalidade artesanal enquanto outras atividades pesqueiras de maior escala continuam operando dentro de seus respectivos limites. Também lembram que o próprio Governo Federal ampliou em cerca de 20% a cota total da tainha para 2026, reconhecendo uma melhora nos estoques da espécie.

O Governo de Santa Catarina já vinha contestando as restrições impostas à pesca da tainha e defendendo que o arrasto de praia, por seu caráter tradicional e artesanal, não deveria estar submetido às mesmas limitações aplicadas a outros modelos de captura. A discussão, inclusive, já motivou ações judiciais em anos anteriores.

Para muitos catarinenses, a sensação é de que decisões tomadas a milhares de quilômetros do litoral ignoram a realidade de quem vive do mar. Enquanto gabinetes discutem números e relatórios, pescadores assistem ao encerramento precoce de uma atividade que sustenta famílias inteiras e mantém viva uma tradição que atravessa gerações.

A discussão sobre preservação dos estoques pesqueiros é legítima e necessária. O que permanece em debate é se o caminho adotado pelo Governo Federal realmente equilibra proteção ambiental e sobrevivência econômica ou se acaba penalizando justamente o elo mais frágil dessa cadeia: o pescador artesanal catarinense.

Governo Federal decreta fim da pesca da tainha por arrasto de praia e revolta pescadores em Santa Catarina

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