Abrint faz teste com Wi-Fi em 6 GHz no AGC 2026 e defende uso livre da faixa
Entidade afirma que nova frequência pode melhorar a qualidade da conexão e ampliar a capacidade das redes sem fio
A Abrint (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações) realiza nesta sexta-feira (8), ao longo do último dia do Abrint Global Congress 2026, um de Wi-Fi na faixa de 6 GHz
O teste foi divulgado à imprensa pelo presidente da entidade, Breno Vale, e ocorre em meio ao debate sobre a destinação dessa faixa de frequência no Brasil. A Abrint defende que os 6 GHz sejam preservados para uso não licenciado pelo Wi-Fi, ou seja, sem necessidade de contratação de uma licença individual para cada rede instalada.
Na prática, a faixa de 6 GHz funciona como uma nova “avenida” para a internet sem fio. Hoje, a maior parte das conexões Wi-Fi usa as faixas de 2,4 GHz e 5 GHz. A primeira tem maior alcance, atravessa melhor paredes e obstáculos, mas costuma ser mais lenta e mais sujeita a interferências, porque é usada por muitos aparelhos. A de 5 GHz oferece mais velocidade, mas tem alcance menor. Já a faixa de 6 GHz permite mais capacidade, menos congestionamento e melhor desempenho em locais com muitos dispositivos conectados.
Segundo a Abrint, mais espectro disponível para Wi-Fi significa maior capacidade de rede, melhor experiência para o usuário, estímulo à inovação e mais competitividade no setor. A entidade afirma que restringir a faixa criaria um limite artificial ao desenvolvimento digital brasileiro.
O teste no AGC 2026 usa equipamentos Wi-Fi 7 em 6 GHz com potência completa, no modelo conhecido como standard power. Esse formato permite que pontos de acesso instalados em áreas externas operem com potência maior, de acordo com as regras autorizadas pelo regulador. Para a demonstração, a Abrint obteve autorização temporária da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
A instalação foi feita com equipamentos da Ruckus e da Ubiquiti, incluindo pontos de acesso externos. Um deles usa antena setorial, que direciona o sinal para uma área específica, e outro tem cobertura mais ampla. A rede de teste foi montada no pavilhão do evento para demonstrar o funcionamento do Wi-Fi em 6 GHz em um ambiente de grande circulação de pessoas e alta demanda por conexão.
“A demonstração mostra a diferença do Wi-Fi em 6 GHz em relação às faixas tradicionais de 2,4 GHz e 5 GHz. Mesmo em um ambiente com muita interferência, a rede em 6 GHz funcionou com bom desempenho e estabilidade. A ideia é mostrar, de forma prática, o potencial dessa faixa e contribuir para o debate sobre sua liberação completa no Brasil”, disse o representante da Ruckus, Diego Garrido.
De acordo com o material técnico da demonstração, a rede em 6 GHz apresenta desempenho superior ao das faixas de 2,4 GHz e 5 GHz, especialmente por sofrer menos interferência. Em ambientes cheios, como feiras e congressos, redes tradicionais podem ficar congestionadas, já que muitos celulares, notebooks, roteadores e outros equipamentos disputam o mesmo espaço de radiofrequência.
“Restringir o uso da faixa de 6 GHz para Wi-Fi seria criar um limite artificial ao desenvolvimento digital do país. O Brasil precisa de mais espectro para conectar melhor, inovar mais e ampliar o acesso às tecnologias avançadas. Defender essa faixa para uso não licenciado é defender a qualidade da internet que o brasileiro utiliza todos os dias”, afirma Breno Vale.
Disputa
A disputa sobre os 6 GHz envolve diferentes interesses no setor de telecomunicações. Provedores de internet defendem o uso da faixa para Wi-Fi, enquanto segmentos ligados à telefonia móvel argumentam que parte desse espectro deve ser destinada a futuras redes celulares. Em 2025, a Anatel manteve a divisão da faixa entre Wi-Fi e serviço móvel, decisão criticada por entidades de provedores, entre elas a Abrint.
Para a Abrint, o Wi-Fi em 6 GHz é uma tecnologia estratégica porque pode melhorar a conexão em casas, empresas, escolas, hospitais, centros de eventos e espaços públicos. A entidade afirma que a demanda por mais espectro é urgente e que o Wi-Fi segue sendo uma das principais formas de acesso dos brasileiros à internet.
“A demanda por conectividade cresce todos os dias, e o Wi-Fi continua sendo uma das principais portas de entrada dos brasileiros à internet. Por isso, a Abrint entende que a preservação da faixa de 6 GHz para uso não licenciado é uma escolha estratégica para o país, para a inovação e para o consumidor”, termina Vale.











