Projeto de lei “Lei Orelha” avança na Alesc após morte brutal de cão comunitário em Florianópolis
Proposta de Mário Motta endurece punições administrativas para maus-tratos a animais cometidos por menores e responsabiliza pais ou responsáveis; investigação policial e Ministério Público seguem apurando o caso
Florianópolis (SC) – O assassinato do cachorro comunitário Orelha, espancado até a morte por um grupo de adolescentes na Praia Brava em janeiro deste ano, teve repercussão política e mobilizou a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Em resposta ao caso, o deputado estadual Mário Motta (PSD) apresentou o projeto de lei apelidado de “Lei Orelha”, que busca endurecer a responsabilização administrativa por maus-tratos a animais praticados por menores de idade e atribuir sanções diretas aos pais ou responsáveis legais pelos atos dos filhos ou tutelados.
O que prevê a Lei Orelha
A proposta legislativa altera a legislação estadual sobre proteção animal, com foco em três pontos principais:
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Responsabilização administrativa dos pais ou responsáveis legais quando menores sob sua tutela praticarem maus-tratos contra animais;
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Multa em dobro nos casos em que o animal sofrer lesão grave;
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Multa em triplo quando o ato resultar na morte do animal.
Segundo o deputado, a proposta não tem caráter punitivo por vingança, mas educativo e preventivo. “A Lei Orelha não é sobre vingança. É sobre criar mecanismos para que episódios como esse não se repitam. Continuaremos acompanhando os desdobramentos desse caso, mas enquanto isso, mudaremos a legislação estadual para garantir que esse tipo de crime não volte a acontecer”, afirma.
O texto segue para tramitação nas comissões permanentes da Alesc antes de ser votado em plenário.
Contexto e lacunas legais
O caso de Orelha expôs lacunas na legislação atual de proteção animal de Santa Catarina — especialmente no que diz respeito à responsabilização indireta de adultos por crimes cometidos por menores. A lei que rege a proteção de animais no estado já prevê penalidades, mas a proposta de Motta amplia essas previsões ao conectar diretamente a responsabilização administrativa aos responsáveis legais quando os crimes são praticados por adolescentes.
Investigação policial e atuação do Ministério Público
A Polícia Civil de Santa Catarina continua a investigação sobre a morte do cão Orelha. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na segunda-feira (26), com apreensões de celulares e dispositivos eletrônicos ligados aos suspeitos, que incluem quatro adolescentes — dois deles em Santa Catarina e dois nos Estados Unidos em viagem programada.
A corporação já indiciou três familiares (dois pais e um tio dos adolescentes) por coação de testemunhas durante o andamento da investigação.
O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) acompanha o caso por meio da atuação conjunta da 10ª Promotoria de Justiça da Capital (Infância e Juventude) e da 32ª Promotoria (Meio Ambiente), analisando elementos do inquérito que poderão resultar em medidas judiciais futuras.
Repercussão pública e política
A morte de Orelha gerou protestos na Praia Brava e ampla repercussão nas redes sociais, com moradores, protetores de animais e cidadãos cobrando respostas mais duras contra maus-tratos e o fortalecimento das leis de proteção animal.
O episódio também reacendeu debates sobre maioridade penal e responsabilização dos responsáveis por atos cometidos por menores. O governador Jorginho Mello (PL) declarou que o caso não se trata de um evento isolado e afirmou que a violência contra animais deve ser tratada com seriedade, com prioridade às apurações.
Perspectiva e próximos passos
Se aprovada, a Lei Orelha poderá marcar um novo patamar na legislação de Santa Catarina sobre proteção animal, ampliando a responsabilização administrativa e fortalecendo a prevenção contra maus-tratos. A tramitação legislativa ainda está em estágio inicial, e a proposta dependerá de avaliações e pareceres das comissões da Alesc antes de ir a plenário para votação.











