21 de janeiro de 2026
#Destaques #Editorial #Paulo Cordeiro

EDITORIAL: O Natal como Resistência da Empatia

Em um mundo que parece girar cada vez mais rápido, movido pela efemeridade das notificações digitais e pelas divisões acaloradas da arena pública, o Natal se impõe não apenas como um feriado no calendário, mas como um necessário exercício de pausa. A verdadeira relevância da data hoje reside em sua capacidade de atuar como uma resistência: a resistência da empatia contra o isolamento moderno.

Historicamente, o Natal é uma celebração de contrastes. O nascimento de Jesus Cristo, maior símbolo da fé cristã, ocorreu na simplicidade de uma manjedoura, cercado pelo silêncio da noite e pela luz de uma estrela. Essa imagem, independentemente da crença religiosa de cada um, carrega uma mensagem poderosa de que a esperança e a renovação muitas vezes surgem nos lugares mais humildes e improváveis. É um convite à reflexão sobre onde estamos depositando nossos valores e nossa atenção.

Entretanto, não podemos ignorar o “ruído” que envolve a data. A crítica ao consumo desenfreado é válida e necessária; contudo, reduzir o Natal apenas às trocas comerciais é ignorar a sociologia do afeto que ele promove. O ritual de reunir-se ao redor de uma mesa, de buscar o perdão e de reatar laços fragilizados pelo tempo é, em essência, um ato político de paz. Em tempos de polarização, o “espírito natalino” nos força a reconhecer a humanidade no outro, lembrando-nos de que a fraternidade é o tecido que mantém a sociedade unida.

Além disso, as raízes ancestrais da data — o solstício de inverno e o retorno da luz — nos conectam com a natureza e com a ideia de ciclos. O Natal é o lembrete anual de que, por mais longa que seja a noite, o sol sempre volta a brilhar. É um símbolo de resiliência que atravessa séculos e culturas.

Neste Natal, o convite que deixamos aos nossos leitores é o de resgatar o sentido da presença. Que as luzes nas janelas reflitam menos o brilho das telas e mais o calor das conversas reais. Que a generosidade não seja medida pelo preço do embrulho, mas pela disposição de ouvir e acolher. O Natal só faz sentido se, ao final da celebração, formos capazes de carregar um pouco dessa luz para os dias comuns que virão.

Imagem gerada por IA

EDITORIAL: O Natal como Resistência da Empatia

Previsão do tempo em Santa Catarina: calor,